Suzzy D’CostaCover oficial de Beyoncé na noite baiana conta um pouco de sua história

Everton Menezes como Suzzy D' Costa

Na noite em que sua personagem comemoraria quatro anos de vida, o ator transformista Everton Menezes, que assume Suzzy D’Costa na noite baiana, recebeu a nossa equipe para uma entrevista. Para comemorar entre amigos, colegas de trabalho e seus fãs, Suzzy escoheu o bar Âncora do Marujo, que fica na avenida Carlos Gomes, no centro de Salvador. É um bar alternativo, que recebe, de terça a domingo, atores transformistas para se apresentarem, com direito a palco e camarim.

Com muita simpatia, na casa de um amigo, local onde escolheu para se transformar, enquanto se aprontava, Everton ia contando um pouquinho de sua carreira. Em meio a uma pergunta e outra, ele dava uma parada para atender seu telefone, que tocou repetidas vezes ao som do hit Telephone, de Beyoncé com Lady Gaga. Com muita segurança ao se maquiar, aos poucos, Everton ia tomando a forma de Suzzy D´Costa, uma das personagens mais queridas dentro do transformismo baiano, que você vai conhecer nesta entrevista exclusiva.

Bahia Glam – Quando foi que você decidiu que passaria a fazer apresentações vestido de mulher? Alguém lhe incentivou?

Suzzy se apresentando no bar Âncora do Marujo

Suzzy D´Costa – Para falar a verdade, foi com uma brincadeira com um amigo meu, que estava participando de um concurso no Beco (dos Artistas), no final de 2006, intitulado BBB – Big Bicha do Beco. E eu fui só assistir. Nunca tive vontade de participar. Só que um candidato que estava concorrendo com ele não foi. Aí, eu disse: ¨Eu faço com você, e vamos ver o que vai dar. Eu perco. Você ganha. E você vai para a final.¨ Deu tudo errado! Eu dublei Vanessa da Mata. Eu ganhei do meu amigo. Fui para a final, ganhei o concurso, que era uma brincadeira, e estou aqui até hoje.

BG – E por que o nome Suzzy D´Costa?

Suzzy – Não fui eu que escolhi. Quem escolheu foi Ágata, uma amiga. Eu queria ser Barbie. Aí, ela disse: ¨Não. Você é negra. Coloca Suzzy.¨ E eu perguntei: ¨Suzzy de quê?¨ Como eu fazia música nacional naquela época, ela disse: ¨Coloque Costa, que é um sobrenome popular.¨ E eu: ¨Então, tá bom. Suzzy Costa.¨ Só que, na hora de entrar, com o camarim lotado, Ginna (D´Mascar), a apresentadora, perguntou meu nome, e eu, nervosa, porque não tinha experiência, naquela época, respondi: ¨Suzzy D´Costa¨. Aí, o povo riu. Eu tentei mudar várias vezes, mas não consegui. O povo não deixa. E, antigamente, era pior, porque as pessoas falavam Suzzy de costa, de lado e de frente. (risos) Acabava com minha vida aquele povo.

BG – O transformismo voltado para o espetáculo nem sempre é entendido pelo público em geral. Para você, o que significa vestir uma personagem e subir no palco?

Suzzy – Eu não vou mentir que, quando comecei a fazer show, eu achava tudo uma brincadeira. Me vestir de mulher, subir no palco, fazer show e ganhar uns aplausos. Não entendia muito bem qual era a intenção das meninas  (transformistas) que eram profissionais nesse trabalho. Com o tempo, fui percebendo que o trabalho é mais forte, tem de passar uma mensagem. Há espetáculos que fazemos que são grandiosos, com bailarinos, com figurinos belíssimos. Então, existe todo um profissionalismo por trás, toda uma proposta de trabalho. Mas ainda existem muitos hoje que ainda tratam como uma brincadeira. Colocam um vestidinho, sobem no palco e ganham uns aplausos. E pensam que é só isso. Existe todo um respeito da platéia que a gente adquire com o tempo para isso acontecer.

BG – Dentro dessa arte, covers que chegam o mais próximo da imagem do artista que representam têm mais espaço do que outros atores?

Suzzy – Não. Eu acho que é mais difícil para aquele que tem um trabalho como cover. Porque, como Gilvan, que faz apenas Nei Matogrosso, e eu, que só faço Beyoncé, são poucos. Por isso, acredito que seja mais difícil.

¨Existe todo um profissionalismo por trás, toda uma proposta de trabalho. Mas ainda existem muitos hoje que ainda tratam como uma brincadeira. Colocam um vestidinho, sobem no palco e ganham uns aplausos. E pensam que é só isso.¨ Suzzy D´Costa

BG – O que falta para o ator transformista baiano deixar de ser chamado de ¨bicha de show¨ e ser reconhecido como artista?

Suzzy – Falta respeito dos próprios artistas. Porque muito artista que, quando é chamado de bicha de show, gosta, acha que é churria (gozação). Falta também espaço para nós. Porque temos muito poucas casas noturnas que abrem para mostrarmos o nosso trabalho. Então, são poucos espaços. E as pessoas que vão, nem sempre, são pessoas que respeitam. Vão para uma festa, vão para curtir uma noite. Nós é que temos que colocar na cabeça que somos artistas e nos tratar como tal. Para o respeito ser maior, tem de começar de nós, artistas, para que o público perceba o nosso respeito entre si e comece a nos respeitar.

BG – Nós sabemos que o transformismo é muito mal remunerado aqui na Bahia. É possível viver dessa arte ou é necessário ter uma profissão paralela para sobreviver?

Suzzy – Tem que ter uma profissão paralela. Embora alguns artistas, como Ginna, consigam sobreviver trabalhando apenas como ator. Muitos fazem só por prazer. Alguns são cabeleireiros, maquiadores, jornalistas. Mas viver só do transformismo é muito difícil, porque o cachê é muito baixo. Poucos locais dão um cachê alto, mas apenas uma ou duas vezes por mês. Até porque gastamos muito com figurino, com maquiagem, com peruca, com sapatos, com cachê e figurino de bailarinos. Então, é bem maior o investimento do que o que se ganha. É um trabalho feito por amor mesmo. A menos que você seja um artista com muito espaço na mídia e faça muito telegrama animado ou animações de festas, não dependendo do que se ganha nas casas noturnas, você vai conseguir viver só do transformismo.

Suzzy dublando Beyoncé

BG – Hoje, como você enxerga o cenário do espetáculo GLS na Bahia? É difícil o convívio nesse meio? Existe muita competição?

Suzzy – Para falar a verdade, existe, sim, competição. Porque como eu, que faço Beyoncé, existem muitas outras que também dublam Beyoncé. Então, o público comenta: ¨Quem faz melhor é a Suzzy. É não sei quem …¨ Ou, quando estou assistindo a um show de alguém, dizem: ¨Olha só! Ela quer tombar Suzzy¨. Esse tipo de competição branca, como nós chamamos, existe. Agora, já houve artistas que pararam de se falar por causa de show. Porque a música é de uma e a outra fez. Aí tem briga, o que é muito comum.

BG – Você recebeu o título de Miss Bahia Gay, em 2008, e, hoje, é uma das artistas mais respeitadas pelo talento na arte do transformismo. Ao que você credita esse seu sucesso?

Suzzy foi eleita Miss Bahia Gay em 2008

Suzzy – Ao meu esforço, ao meu talento. Às minhas amigas, que, se não fosse por elas, hoje, não estaria completando quatro anos de show como artista. São elas: Valerie O´rarah, Carolina Vargas, Rainha Loulou, Fordon, Mama Victoria, Ginna D´Mascar, que, no início, me deram a maior força. Foram essas amigas que me deram a direção: ¨Amiga, não faz assim. Faz uma música mais animada. Se preocupa mais com a dublagem, …¨ Se você estiver com pessoas boas, seu trabalho só cresce. Se você se  misturar com pessoas que não têm a mesma visão, certamente, seu trabalho vai diminuir. Você vai acabar sendo vista como mais uma, como aconteceu no meu começo. Hoje, agradeço muito a Deus e a elas por terem me acolhido como uma família.

BG – Você representa Beyoncé desde o início da sua carreira? Por que essa afinidade com a cantora?

Suzzy – Eu sempre gostei dela. E, no começo, era mais fácil, até porque eu já sabia cantar suas músicas, sabia todas as letras. Na época, eu também estava fazendo dança afro. Como já sabia dançar, isso facilitava. E as pessoas gostavam de me ver dublá-la. Hoje, muitas pessoas do meio gay gostam mais da Beyoncé por minha causa. Várias nunca tinham ouvido falar. Aí, quando viam o show, perguntavam: ¨Nossa! Quem é essa cantora?¨ Então, quando a gente tem um interesse maior pelo artista, a gente faz melhor.

BG – Em suas apresentações, nós percebemos o quanto você é fidedigna aos trejeitos da cantora, preocupa-se com a maquiagem, com o figurino, com as coreografias. O quanto do seu dia você se dedica a esse trabalho?

Suzzy – Só nos tempos vagos, porque eu estudo dança. Então, quando eu estou em casa e não tenho nada para fazer, eu coloco o DVD e repasso os passos. Quando estou com os bailarinos, eu também ensaio. Eu não tenho essa preocupação, como outros artistas, de tentar fazer o correto e não conseguir. O figurino, por exemplo, eu tento fazer o mais próximo possível. Se eu não consigo fazer próximo, eu escolho o que fica bom no meu corpo e me possibilite dançar.

Trio Star: Suzzie D' Costa, Rainha Loulou e Valerie

BG – Você completou quatro anos de carreira. Hoje, dentro do meio GLS, você se considera uma vitoriosa?

Suzzy – Com certeza. Desde o meu primeiro ano. Porque é muito difícil você completar um ano, estando ao lado de outras artistas mais antigas, como a Rainha Loulou e Valerie, que têm mais de cinco anos de carreira. Nós até fizemos um show no teatro Gamboa, chamado Trio Star. Para mim, foi uma grande vitória desde o início, quando eu coloquei na cabeça que era isso que eu queria fazer. ¨Então, vamos fazer. E vamos fazer o negócio sério!¨ Fechamos a proposta de fazer num teatro, acertamos tudo e fizemos. E foi sucesso. Para mim, com apenas um ano de carreira, estar em um teatro, fazendo um show digno, com um figurino impecável e mais duas artistas de porte do lado, ou eu tinha de ser muito boa, ou elas não iam me convidar para participar do show. Por isso, eu sempre me senti uma vitoriosa. E agradeço muito às duas.

BG – E, para finalizar, que mensagem você deixaria para quem quer começar a trabalhar uma carreira de transformista?

Suzzy – Dedique-se. Coloque na cabeça que não é fácil. O trabalho de dublagem, por exemplo, é algo que vai requerer muito de seu tempo. É preciso estar com o psicológico equilibrado, porque a gente escuta bastante comentário. Uns são bons, e outros nem tanto. Então, se é isso realmente que você quer, se introse com pessoas boas e tente sempre fazer o melhor. No início, você pode ouvir muita churria, muita gente pode tentar lhe acabar, dizendo que você não é bom. Mas ensaie bastante. Para o transformismo, trabalhe uma boa dublagem. Porque, se você não tem uma boa dublagem, nessa arte, você não é nada. Há muitas (transformistas) que não são completas: umas têm um bom figurino, mas não têm dublagem; outras têm uma boa performance, mas não têm figurino nem dublagem; algumas têm uma boa dublagem, um bom figurino, mas não têm uma performance boa. É muito difícil encontrar uma pessoa completa, com figurino, performance, dublagem, beleza, com tudo. Há pouquíssimas artistas assim. Quando você tem a certeza que está completa, pode dizer que é um artista.

Onde encontrar Suzzy D´Costa:

71 8845 6380

Escrito em: DESTAQUE, quadro de destaques.
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  • Uma resposta a Suzzy D’Costa

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