Itapuã faz parte do circuito cultural de SalvadorCom a Casa da Música, situada no Abaeté, o parque metropolitano deixa de lado o histórico de abandono

Para quem achava que passar uma tarde em Itapuã só era interessante na famosa música de Vinícius de Moraes e Toquinho, agora, tem mais um bom motivo para freqüentar o bairro. Bem próximo a um dos pontos turísticos da cidade de Salvador, o Abaeté, encontra-se a Casa da Música, um dos centros de cultura da região, que abriga um vasto acervo cultural e é palco de eventos e oficinas.

A Casa da Música foi fundada no dia 03 de setembro de 1993, junto com a revitalização do Parque Metropolitano do Abaeté. Há pouco mais de três anos, sua coordenação foi assumida pelo músico baiano Amadeu Alves. Ela foi criada com o objetivo de ser o museu da música baiana, guardar um acervo de livros, de fitas, partituras. Até a fobica, o primeiro trio elétrico, também faz parte desse acervo. Esse obejetivo permanece até hoje, sendo que, atualmente, a casa tem uma característica de um espaço cultural, onde a comunidade tem um acesso mais participativo. Hoje, além da visitação, existe uma interatividade muito maior, onde as pessoas propõem atividades, saraus, bate-papos musicados, oficinas de música, canto, flauta, pandeiro, percussão, violão e teatro. ¨Nós temos uma relação muito boa com diversos segmentos da comunidade, grupos de capoeira, outras entidades do bairro, conselho da APA do Abaeté, distritos de saúde, coordenadoria regional de educação. Várias necessidades da comunidade local são atendidas, por ser um espaço que tem um salão único multifuncional, uma estrutura que atende a diversas atividades, seja uma apresentação artística, uma reunião, uma oficina, um cine clube, batizados de capoeira. Nós conseguimos dinamizar o espaço de uma forma a transformá-lo na referência que é hoje na região da Grande Itapuã¨, esclarece o coordenador da casa.

A divulgação da Casa da Música é feita principalmente pela internet, através do blog da instituição e de e-mails enviados para o mailing. Além disso, ainda conta com a ajuda da assessoria de imprensa da Fundação Cultural e das inserções em jornais e rádio e com o boca-a-boca. Para Itapuã, é de grande importância ter um espaço onde as pessoas não freqüentem só para entretenimento, como bares, restaurantes e festas que já existem no bairro. Então, segundo Amadeu, apresentar um lugar com uma configuração diferente, onde o público pode assistir a espetáculos culturais e artísticos, teve um efeito bastante significativo e a resposta da comunidade tem sido de satisfação e do interesse que isso tenha um desdobramento, um crescimento, uma continuidade. ¨As pessoas sempre comentam que a Casa da Música atende a uma necessidade que, até então, estava fazendo muita falta no bairro¨, completa.

A Casa da Música é frequentada pelos mais diferentes tipos de públicos, seja de idade, classe social, poder aquisitivo. O público percorre todas as faixas etárias, passa pelos estudantes de escolas da região e chega até a moradores de outros bairros. Há também aqueles que têm sede de assistir apresentações culturais e artísticas. É um público que sabe que vai à casa ou para um encontro ou para um momento de contemplação da arte, da cultura, da audição, da percepção. Com isso, o Abaeté – e o bairro de Itapuã – deixa de lado aquele histórico de abandono e passa a fazer parte do circuito artístico-cultural da cidade.

¨Hoje, eu sinto que as pessoas estão acreditando mais que podem fazer pequenas ações e, com isso, contribuir com esse cenário. Eu chamo isso de oxigenação cultural¨. Amadeu Alves

O trabalho da Casa da Música é sócio-cultural e busca sempre mobilizar as pessoas quanto à questão da consciência ambiental. Há uma orientação no sentido de fazer com que percebam o que existe ao seu redor, as necessidades da comunidade. A exemplo do brechó e outras atividades que acontecem no local, a casa, muitas vezes, faz seu papel assistencialista, direcionando a renda para grupos e comunidades carentes da região. Mas a base do trabalho da instituição é despertar nas pessoas o acreditar que ela pode ser protagonista, pode realizar um trabalho que vai fazer a diferença. Através dos bate-papos musicados, por exemplo, a Casa da Música consegue trazer personalidades que dominam determinado tema, que é debatido com o público. E isso ajuda a despertar e mostrar que esse mesmo público pode estar contribuindo com essa riqueza cultural da região. ¨Eu, por exemplo, trabalho com música. Na comunidade, pode haver centenas de pessoas que ainda não despertaram para esse potencial. E com esse trabalho da Casa da Música, focado na questão da arte e da cultura, podemos servir de estimulante para descobrir talentos, para fazer com que as pessoas saibam que existe uma diversidade cultural muito grande, e para que possam perceber a riqueza cultural como algo que pode refletir na economia, na educação, no meio ambiente, na saúde,¨ explica Amadeu, que deixa claro ser apaixonado por Itapuã, seu bairro natal.

A programação

Dentro da programação da casa, quinzenalmente, nas segundas-feiras, acontecem os saraus, uma vez por semana há os bate-papos musicados, nas sextas-feiras à noite, há o circuito popular de cinema e vídeo, nas terças, quartas e quintas-feiras, são feitas as oficinas pela tarde. Exporadicamente, também acontecem os luaus e os piqueniques culturais, que são atividades externas realizadas na beira da lagoa do Abaeté. Todos os eventos promovidos pela casa são voltados para um trabalho voluntário, onde todos os artistas convidados, sejam da região ou até celebridades, como Margareth Menezes, Armandinho e Mariene de Castro, fazem suas participações gratuitamente, sem cobrar cachê. ¨É um trabalho de mobilização que faz com que os artistas vejam que vale a pena doar um pouco daquela força para contribuir com um movimento de coletividade¨, acrescenta o músico.

A cultura e o novo cenário na Bahia

O cenário cultural atual na Bahia é de mudanças. Está passando por uma grande transformação. Hoje em dia, é possível ver muitos artistas novos, que não estavam em cena há cinco anos, podendo ser lançados nesse mercado, fazendo uso de um novo formato, no qual as pessoas divulgam seus trabalhos através da internet e das redes sociais. Amadeu diz que vê essa fase de maneira muito positiva. Segundo ele, um tempo atrás, não acontecia muito mais do que o show biz oferecia. Era só o carnaval, o Axé Music. ¨Hoje, eu sinto que as pessoas estão acreditando mais que podem fazer pequenas ações e, com isso, contribuir com esse cenário. Eu chamo isso de oxigenação cultural¨. Ao percorrer por Salvador, e até pela Bahia, é possível perceber que há muito mais pessoas fazendo cultura do que há algum tempo. ¨Toda uma estrutura de entretenimento  e cultura foi desmontada. E parecia, naquele momento, que estava se fazendo uma coisa errada. Mas o efeito dessa renovação, da ampliação da base da cultura baiana, que envolve os recursos, vai ser bem positivo daqui a algum tempo¨. Amadeu acredita que, dentro de uns quatro ou cinco anos, o que brotou nessa nova política cultural da Bahia vai crescer e tomar uma outra dimensão. Ele acrescenta: ¨Se eu fizer uma analogia com uma árvore, acho que este momento é de adubação, de recuperar um terreno que estava árido, onde só funcionava uma monocultura. E hoje, a diversidade cultural está reinando.¨

A Bahia respira cultura. E a política cultural hoje, no estado, é menos assistencialista. Mas, ao mesmo tempo, lança a possibilidade de um artista que tem um projeto poder se inscrever num edital ou em algum prêmio, em alguns dos formatos de apoio existentes para obter recursos e não mais precisar ser aquele profissional que já estava estabelecido no mercado com um grande produtor, embora essa maneira de trabalho ainda exista. Hoje, é possível que um artista, com um pequeno recurso, possa construir um alicerce, para dar outros passos maiores. Diante dessa realidade atual de distribuição de recusros, Amadeu conclui: ¨Para que as pessoas possam aproveitar mais desse momento, é preciso que entendam que a política cultural mudou, e não esperar que alguém faça por elas, seja o governo, algum político. A pessoa precisa acreditar que é ela quem precisa se mobilizar para fazer. Mas também é preciso que ela domine o mínimo desse fazer. Se as pessoas começarem a perceber que é necessário se qualificar para conseguir esses recursos, essa política será favorável e poderá fortalecer o coletivo¨.

Como chegar:

Parque Metropolitano do Abaeté s/n, Itapuã (www.casadamusicabahia.wordpress.com)

Escrito em: CULTURA.
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